Thursday, July 15, 2010

Char Kway Teow

Ary, essa é para ti...


A comida da Malásia é similar à da Tailândia. Talvez um pouco menos perfumada. O prato que eu mais gostei por aqui foi o Char Kway Teow. Na verdade, gostar é pouco. Eu adorei esse troço...

Char kway teow, literalmente fios de arroz fritos (na Wok), é um prato popular de noodles na Malásia, mas também na Indonésia, Cingapura e Brunei. É um prato típico de "hawker stall", aquelas barraquinhas de rua com um monte de mesinhas espalhadas pela calçada.

De que se trata? São fios de massa de arroz chatos, tipo fettuccine, fritos em alta temperatura em um molho de soja escuro bem leve. Vai pimenta, um tal de belachan, suco de tamarindo, camarões inteiros, brotos de bambu e um tipo de molusco. O prato é muitas vezes misturado com ovos (fica ótimo), lascas de linguiça chinesa e bolinhos de peixe.

O Char koay teow é tradicionalmente frito em banha de porco, com tostadinhos de bacon e servico sobre uma folha de bananeira em cima do prato. Não é particularmente leve. Nas partes mais tradicionais (muçulmanas) da Malásia eles substituem a banha por óleos vegetais.

É uma verdadeira delícia. Comi pela primeira vez em Penang, no conhecido Song River Café. O prato custou R$ 2, mas tive que pedir 2 porque era pequeno. Aí a conta chegou a estratosféricos R$ 4. Mas os camarões eram gigantes e tinha todos os ingredientes "supracitados". 

O problema de começar em Penang (uma ilha à oeste da Malásia, no estreito de Melacca) é que lá é o centro culinário da Malásia. É como comer a primeira moqueca em Vitória, o primeiro churrasco no Rubayat, etc. A partir daí é ladeira abaixo. 

Wednesday, July 14, 2010

Abre o olho, São Paulo

Para brasileiros, viajar pelo Sudeste Asiático apresenta um vantagem adicional. A viagem nos permite comparar o Brasil com países em nível similar de desenvolvimento e, se é que podemos chamar assim, de riqueza.
A Malásia é um bom exemplo. Apesar de ter partido de muito atrás do Brasil, ela é hoje um país, no mínimo, comparável. Era uma colônia até 1957 e era miserável. Para complicar, a mistura de malaios, chineses e indianos gera uma dose considerável de tensão.
Pois bem, vamos comparar então Kuala Lumpur (KL, para os íntimos), com São Paulo (vulgo Sampa).
Sampa se vangloria de ser uma metrópole cosmopolita, com seus edifícios, um centro de consumo e uma meca gastronômica. Pois é mesmo. E eu estou até com saudades.
KL (leia-se quei él) é tudo isso também, com algumas vantagens.

Os arranha-céus colocam os de Chicago no chinelo.
Em termos de consumo, por exemplo, um dos shoppings bacanas daqui - o Pavillion - mete o Iguatemi, o Cidade Jardim e a Daslu no bolso. Juntos é claro, para não perdê-los no meio das moedinhas.
Quanto à gastronomia, a variedade em KL também é grande. Claro que puxando para as especialidades indianas e asiáticas, mas com muita coisa européia também.
A diferença em relação à Sampa, é que uma família pode curtir um festim culinário com R$ 10 por cabeça. Claro que pode gastar muito mais, mas o piso é baixo, e qualidade nesse nível já é muito boa.
Para completar, KL é coberta por florestas tropicais, tipo Floresta da Tijuca. São parques enormes de um lado da cidade e bolsões no resto. Num desses bolsões, uma floresta de 3 milhões de anos, tem até passeio ecológico. Com guia florestal e tudo. A 1 km das Petronas Towers.

Até o trânsito é muito melhor. Algo a ver com as mega autopistas que cruzam a cidade e o monorail elevado. Com a diferença que a estrutura do monorail é leve e não cria embaixo um cenário de medo tipo Minhocão.
E a cereja do bolo é que a cidade parece muito mais segura que a nossa. Os bancos tem portas tipo McDonald´s e não vi segurança ostensiva. O fato de darem prisão perpétua em caso de porte ilegal de arma talvez contribua. Até há pouco, era pena de morte. Mas o principal fator que leva a isso é com certeza a cultura (e religião), já que pena dura, por si só, não resolve.
Mas vamos dar um bom desconto nessa avaliação, porque são apenas observações superficiais de quem passou alguns dias por lá. Seguramente, há bastante poeira debaixo do tapete.
Mas não tenham dúvida que uma visita a KL abre os nossos olhos paulistanos...

Sunday, July 11, 2010

Time out

Nosso blog congelou uns dias e agora estamos entrando num periodo de passeiso em um parque florestal. Vamos ficar uns dias fora do ar.

Cambio e desligo

Tuesday, July 6, 2010

Universal Studios - missão quase cumprida


Já não podemos ser chamados de pais desnaturados porque levamos nossas crianças para tudo quanto é canto, menos para mega parques temáticos.

Topamos com um parque novinho da Universal Studios aqui em Cingapura.

OK, não foi tanta surpresa assim porque meu amigo e contemporâneo de "dolce farniente" sabático, Armando, já havia me alertado para essa feliz coincidência.

Mas para as crianças foi surpresa total e eles ficaram encantados.

A chuva torrencial que caiu até aumentou o realismo do passeio "Jurassic Park". Era na água e ficamos ensopados, apesar das capas de chuva. A família indiana, com senhoras de sari, nem se fala...

Agora só falta uma pitada de Euro Disney e, quem sabe, uma Disney Hong Kong e os nossos rebentos não serão mais párias da nossa sociedade de consumo :-)

Cingapura é estranha mas muito bacana





Cingapura é realmente uma cidade estranha. Urbana demais, mas também verde demais. Uma mistura de gente com caras muito diferentes.

Construções rocambolescas (vejam o navio em cima dos edifícios), misturadas com casario clássico. A limpeza é realmente maníaca. Parece mais limpa que a casa da gente, com exceção de alguns enclaves étnicos, que também são bastante limpos.

Nós gostamos. Pode ser plastificado, mas dá uma sensação de conforto muito grande.

Talvez não seja a melhor cidade do mundo para se fazer turismo, mas parece ser um excelente lugar para se viver. Claro que um bom emprego deve ser essencial para garantir essa qualidade de vida. Além de um bom guarda-chuvas, porque chove bastante.

O Daniel e os nativos


O Daniel anda fazendo sucesso com os nativos dessa parte do mundo. Eles não param de correr atrás dele.

Ainda bem que o Daniel é um garoto bacana e leva tudo na esportiva.


Wednesday, June 30, 2010

Chegada à Malásia



Começamos nossa viagem pela Ásia com a Malásia. Depois de passar por Doha, chegamos à Kuala Lumpur ontem à noite. E ainda deu tempo de ver o jogo de Brasil durante nossa parada no Qatar!

Na verdade, só chegamos em KL (já estamos íntimos) porque fomos imediatamente transportados para uma cidade próxima, chamada Melacca (ou Melaka). O motorista passou a viagem inteira falando de futebol, da seleção, etc. Umas 2 horas. Acho que ele não vê muitos brasileiros por aqui. Principalmente durante a Copa do Mundo...

Melacca é uma cidade com forte influência colonial holandesa e inglesa. Os portugueses chegaram antes por aqui, mas os holandeses tomaram a cidade em 1641. Como houve um cerco de 6 meses, não sobrou quase nada da arquitetura portuguesa.

Conta a lenda que muitos locais tem antepassados portugueses porque esses não se abstiveram de se "misturar" com as locais. Onde foi que eu já ouvi esta história antes?

A Malásia é famosa pela tolerância religiosa e pelo convívio entre as diferentes etnias. Deu para ver isso aqui em Melacca, onde as comunidades malaia, chinesa e indiana convivem (aparentemente) muito bem.

As religiões principais estão bem representadas na Harmony Street, onde uma mesquita, um templo budista, uma igreja e um templo hindu foram construídos um ao lado dos outros. Entramos em todos (menos na igreja) em questão de minutos e fomos muito bem recebidos.

Deu até para impressionar o pessoal da mesquita com umas palavrinhas em árabe. Falar árabe aqui é sinal de erudição. O país é muçulmano, eles escutam o Alcorão em árabe, mas muito poucos sabem falar. É um pouco como o latim em outros tempos.

Fizemos um simpático passeio de Trishaw, umas bicicletas com sofazinho. Todas muito coloridas, algumas com música e tudo. Pegamos um tiozinho de mais de 65 anos que era um personagem de livro. Super animado, contava várias histórias, fazia piadas e dava conta do recado nos pedais. A Miroca e o Daniel foram com ele, escutando uma eclética trilha sonora em alto volume. Eu e a Sofia fomos atrás com um "assistente".

Ele é bem conhecido na cidade como o homem da coca-cola, porque ele usa o logo na sua bicicleta. Outra coisa interessante é o cartão dele. Além de falar sobre os passeios, preços, etc, ele diz que "fala todas as línguas". Não duvido.








Tuesday, June 29, 2010

Apresentação de ballet da Sofia



Dia 26 de junho de 2010. Estréia da Sofia no Teatro Nacional da Tunísia. Uma daquelas opera houses estilo bolo de noiva que os europeus adoravam construir no país dos outros. Mas que tem um certo charme, isso elas têm...

A Sofia participou no espetáculo Sherazade. Foi muito bacana. Valeu o esforço dela durante o ano todo e o sprint nesse último mês.

Dessa vez ela dançou bastante. Foram 2 entradas e ela ficou vários minutos no palco. Como o teatro não é muito grande, deu para ver bem.

A noite foi ainda mais emocionante porque meu pai e a Miriam (a dele, não a minha) puderam estar presentes. Outra surpresa agradável foi a presença de uma amiga nossa aqui de Túnis, a Helen.

A cidadã da foto com a menininha é a professora da Sofia. Madame Inna. Estilo russo de ensino de ballet, pródiga em comentários amenos do tipo " quem disse que dança clássica não dói? Dói sim!" ou então "onde já se viu menina gorda fazendo solo? Não dá. Ballet não é para todo mundo". Um pouco caricatural, mas a Sofia aprendeu bastante. E gostou, o que é melhor ainda!

Após o espetáculo, fomos ao Ritrovo degli Artisti (nome adequado para a ocasião) para comer pizza. Uma noite para lembrar.


Tuesday, June 22, 2010

A Côte d´Azur merece mesmo esse nome


Fomos à Nice em nosso último dia na Provence. Uma cidade francesa com ares de italiana. Esse ano eles comemoram os 150 da sua transferência para a França. Aparentemente em um plebiscito.

O que mais nos impressionou foi a cor do mar. Além das pedras parrudas da praia.

Tem que ser muito macho para estirar a toalhinha de deitar naquela praia. Não quero nem imaginar o espírito de faquir necessário para tomar um solzinho nas costas.


Chuva e Tarte na companhia de amigos






Nossa viagem à Côte d´Azur incluiu algumas surpresas meteorológicas.

Fomos visitar a Clarence, uma querida amiga dos tempos de Kellogg. Por um acaso ela estava partindo de Chicago para visitar seus pais, que possuem uma linda casa em Rayol-Canadel-sur-Mer.

Por um acaso maior ainda, e graças ao Facebook, entramos em contato alguns dias antes para descobrir a coincidência.

Confesso que foi difícil de ver o tal "sur-mer" nesse dia.

Ainda bem que os pais da Clarence são animados, além de excelentes anfitriões, e nos levaram para passear, apesar da chuva. Esses franceses não são mesmo de açúcar...

Foi um dia muito gostoso. Colocamos a conversa em dia, passeamos na chuva, comemos magret de canard e conhecemos a famosa (até então inaudita em nossa família) Tarte Tropezienne. Uma delícia, aparentemente simples, de pão-de-ló, creme de baunilha e açúcar.

A patisserie de Rayol faz uma muito boa e tivemos a sorte de ainda encontrar uma antes de voltar para nosso condomínio em Theoule-sur-mer. Dá para ver que esse "-sur-mer" é popular por lá.


Sunday, June 20, 2010

Miroca na Côte d´Azur


Quem falou que ano sabático não cansa?

Port-la-Galère



Ficamos num condomínio maravilhoso perto de Cannes. Dica da nossa amiga Ana Spadari, uma caxiense de alma parisiense momentaneamente exilada na Tunísia.

Alugamos um lindo apartamento com 2 quartos e uma sala gigantesca, com vista para a marina do condomínio. Muito confortável, dava para passar o mês inteiro. O melhor é que é muito mais barato (e confortável) do que ficar em hotel.

Nos sentimos (quase) proprietários na Côte d´Azur. Meu pai estava faceiro. É ele quem está com essa pinta satisfeita nas fotos abaixo.

Quem quiser passar uma temporada lá, segue o link. A Aurelie, que cuida das reservas, é muito prestativa e simpática. Dá para fazer reservas por e-mail e pagar por cartão de crédito. Melhor, impossível.

Vale a pena mesmo passar uma temporada lá. Os preços não assustam (demais) quem costumar alugar casa no litoral norte de São Paulo.


Acapulco é aqui!



Não nos deixaram chegar aos rochedos.

O Daniel e eu tivemos que mostrar nossa "arte" no trampolim mesmo.

Com o azul do mar e da água emoldurando os atletas....


Abafando, discretamente, na Croisette de Cannes





As estrelas mais comuns vão embora, os papparazi voltam para casa e a turba de dissipa após o festival de cinema.

Para o olho não treinado, o glamour acabou.

Mas eis que chegam verdadeiras estrelas no Boulevard de la Croisette.

Aquelas que poucos (e bons) conhecem.


Nota: Fotos publicadas em exclusividade mundial pelo nosso blog.




Tuesday, June 8, 2010

As turminhas da scuola italiana di Tunisi


Les Ombrelles em Gammarth




Gammarth fica ao lado de Tunis. É uma comunidade bem rica, à beira do Mediterrâneo.

Na estrada da praia estão algumas das mais belas casas da cidade. Algumas são residências de embaixadores e outros "potentados" locais.

Há vários restaurantes à beira do mar. Entre os mais conhecidos está o Les Ombrelles, especializado em frutos do mar. Há muito tempo queríamos ir lá, mas estávamos esperando o dia perfeito.

Sábado foi esse dia perfeito. Nos esbaldamos comendo peixe, tomando vinho (Tunisiano, muito bom) e apreciando a vista. Apesar do calor e do sol, a brisa do mar estava bem friazinha. Próxima vez levaremos casaco.

Em tempo. O almoço não foi o único evento do dia. A Miroca e a Sofia haviam passado 2 horas de sonho (segundo as próprias) no Hamman do Golden Tulip.

Massagem, scrubbing ou gommage (esfregação com nome bonito), sauna, óleos de beleza, piscinas e ducha por conta do Carrefour, na promoção do Dia das Mães. Finalmente achamos algo de valor para usar os pontos da Carte Fidelité.

O Daniel e eu ficamos no lobby do hotel lendo e jogando DS. Adivinhem quem fez o quê.


Miroca viaja à Sfax a trabalho



A Miroca continua dando duro nesse ano sabático. Tá bom, não tanto assim. Mas, de vez em quando, ela arranja uns bicos bem bacanas lá no British Council.

Na semana passada ela foi à Sfax, segunda maior cidade da Tunísia, ministrar as provas da Universidade de Cambridge. Foram em equipe, em carro com chauffer e tudo.

Passaram dois dias organizando e ministrando os exames, mas também se divertiram bastante. Foram comer em uns restaurantes bacanas, fizeram passeios e, no final de cada dia, ganharam docinhos das escolas. Sfax é famosa pelos doces artesanais.



Nada mal para a primeira viagem "de negócios" da Miroca!


Saturday, June 5, 2010

As crianças e o tempo

Hoje tiramos fotos das crianças para fazer um cartão de despedida para os funcionários da escola italiana.

Ao ver a foto das crianças, percebendo como elas cresceram, como esse ano está passando como um foguete fiquei pensando sobre o tempo.

É incrível como o tempo passa rápido, escorre pelas mãos. Se piscar, perde. Não dá para desperdiçar.

Mas o tempo é muito pouco valorizado. Todo mundo fala que "tempo é dinheiro", que gostaria de ter mais tempo....

Mas quem batalha para conseguir mais tempo da mesma forma, com o mesmo fervor que para conseguir mais dinheiro?

Há alguns anos, um colega de trabalho (obrigado, Thomas) me deu um livro do Sêneca. Uma dessas edições de banca de revista. Uma obra-prima. Não tenho minha cópia aqui, nem vou me atrever a tentar resumir, mas recomendo fortemente a leitura. Mudou minha vida.

Sobre a Brevidade da Vida. LP&M Editores (de Porto Alegre!!)



Tuesday, June 1, 2010

Dia das mães à francesa


Domingo passado, último domingo de maio, foi dia das mães na França. Ou seja, na Tunísia também foi dia das mães. Quanta originalidade.



As crianças aprenderam um poema e fizeram um lindo cartão para a Miroca.

A Sofia sabia o poema par coeur e o Daniel leu direitinho.


Depois todos dançamos para ela uma música do Christophe Mae chamada "Maman". Segue o link do video. O oficial, sem minhas evoluções coreográficas, é claro.


Não tenho certeza se funciona porque o YouTube não "pega" aqui na Tunísia. Aguardo confirmações.

Ou seja, o pessoal daqui não sabe nem metade do que os gatos são capazes de fazer....